A Cielo já está fazendo mudanças operacionais para iniciar o credenciamento para a Mastercard a partir de 1º de julho, quando deixará de ser a credenciadora exclusiva da Visa.
Rômulo de Mello Dias: presidente da Cielo.
Para operar com uma bandeira do porte da Mastercard, é necessário fazer uma série de modificações nos sistemas.
As credenciadoras que passarem a trabalhar com a Visa vão passar por profundas transformações e a Cielo também terá que fazer o mesmo para conseguir capturar as operações da Mastercard.
Até o final de junho, a Cielo será credenciadora exclusiva da Visa.
A partir dessa data, poderá trabalhar com outras bandeiras, da mesma forma que a Visa fica liberada a dar licença para que outras empresas façam o credenciamento dos estabelecimentos comerciais interessados em trabalhar com a bandeira.
A Cielo irá se tornar uma credenciadora multibandeira, e para isso quer aceitar também os cartões da American Express, bandeiras regionais e de empresas presentes apenas no exterior.
Nesse último caso, a ideia é permitir que os estrangeiros portadores desses cartões possam utilizá-los em viagens ao Brasil.
Hoje, a principal concorrente da Cielo é a Redecard, mas outras empresas devem entrar no mercado de credenciamento de cartões. Santander e GetNet anunciaram uma parceria para fazer o credenciamento inicialmente da Mastercard a partir do primeiro semestre de 2010, mas que depois será estendido a outras bandeiras.
Mesmo nesse cenário de maior concorrência, a Cielo tem condições de manter a liderança.
Hoje, a empresa tem 1,7 milhão de estabelecimentos credenciados; foram 380 mil só em 2009.
Para manter os atuais estabelecimentos comerciais e conquistar novos, a Cielo aposta que a distribuição física fará a diferença.
A distribuição e a presença física serão fundamentais nesse novo cenário.
A Cielo pretende contar com a contribuição do Banco do Brasil e Bradesco, que possuem as maiores redes de agências bancárias no Brasil e que são os dois principais controladores da Cielo.
Cerca de 25% dos novos credenciados em 2009 foram conquistados a partir das vendas pela equipe comercial da própria empresa.
A maior parte (75%) é proveniente de parcerias com diversos bancos.
Para as instituições financeiras, o interesse em fechar esse tipo de acordo é manter em seu caixa os recursos dos cartões de débito e crédito das empresas credenciadas.